São Paulo — O ministro da Economia, Paulo Guedes, participou nesta quinta-feira (23) do painel “Desafiando o Domínio do Dólar” em Davos, cidade suíça onde acontece o evento anual do Fórum Econômico Mundial, que reúne a elite da elite global.
A pauta do painel com Guedes é o desejo dos países de reduzir a dependência da moeda americana e imaginar uma nova “arquitetura financeira para um mundo multipolar”.
Segundo o ministro, em cerca de 20 ou 30 anos, o mundo vai ver cinco ou seis moedas continentais, fortes como o dólar. Hoje, as mais próximas de chegarem lá são o Euro e a moeda chinesa Renminbi, A palavra-chave nesse processo, segundo ele é confiança: “As pessoas vão usar a moeda em que confiam mais”, disse.
Um momento em que o mundo chegou mais perto de perder a confiança na moeda americana, segundo ele, foi em 2008 e 2009, durante o estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos. “Por causa dos abusos”, disse.
O painel também teve a participação de Mário Centeno, ministro das Finanças de Portugal, Gita Gopinath, economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, Adam Tooze, diretor do Instituto Europeu da Universidade de Columbia, e Zhu Ning, do Instituto Avançado de Finanças (SAIF) de Xangai.
Para Gita, o dólar está longe de perder seu protagonismo nas transações globais, mas diz que o mundo precisa de mais inclusão financeira: “a tecnologia pode ter um papel importante nesse processo”, disse.
O assunto ganha importância num contexto em que as constantes tensões comerciais entre Estados Unidos e China colocam à prova as politicas monetárias dos maiores bancos centrais do mundo.
O encontro rendeu manchetes menos controversas para Guedes do que seu comentário, na terça-feira (21), de que “o maior inimigo do meio ambiente é a pobreza”. O ministro foi rebatido indiretamente no dia seguinte por Al Gore, que foi vice-presidente de Bill Clinton.
Em uma reunião com CEOs fechada à imprensa, Guedes explicou que seu raciocínio era de que quem mais cobrava o Brasil eram os países que já destruíram suas florestas.
O ministro também encontrou seu colega britânico das Finanças, Sajid David, e disse que o Reino Unido quer negociar urgentemente um acordo de livre comércio com Mercosul.
Esse deve ser o último compromisso de Guedes em Davos. Ontem (22), o Ministério da Economia confirmou que Guedes não acompanhará a comitiva do presidente Jair Bolsonaro, que viaja nesta quinta para a Índia. Até agora, havia a possibilidade de o ministro emendar as duas viagens. Guedes retornará ao Brasil amanhã (24) e assume os compromissos em Brasília na segunda-feira (27).
Veja como foi a discussão:
Em até 30 anos economia global terá 5 ou 6 moedas continentais, diz Guedes publicado primeiro em https://exame.abril.com.br/
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